ARTPOP: Titãs alegam que fazem um show, mas eu assisti a uma aula transdisciplinar
- Ronald Villardo

- há 2 dias
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Sou um carioca da Geração X. Isso quer dizer que boa parte da minha educação musical brasileira é FELIZMENTE contaminada por gente brilhante como Paralamas, Legião, Barão e, claro, Titãs. Ah, você agora é roqueiro? Nem sei como responder a essa pergunta. Vi TODOS os shows do Guns 'n Roses no Rio. Ajuda?
Como os meus dois leitores sabem (se o Xexéo, que é um gênio, tinha 17, já me dou por feliz por ter 2) eu sou é pop. Pop FM mesmo, aquele território que os Titãs frequentam desde a minha (e a deles) tenra idade. E na bandeira do pop rock anos 80 e 90, a estrela dos Titãs brilha espetacularmente.
Daí que já cheguei no show dos quarenta anos do álbum "Cabeça dinossauro" esperando um show nostálgico, cheio de emoção, preparado para aquela sensação do "filminho" que passa na cabeça quando se assiste a um artista que não apenas faz parte da sua vida como está envelhecendo com você.
O que eu não estava preparado era para a AULA a que eu assistiria no show que rolou no Qualistage, ontem. Branco Mello, Sergio Britto e Tony Belloto tocam as músicas com a já justamente reverenciada competência, com direito a momentos do baixo arrepiante do Branco, do charme old money do Tony com sua guitarra charmosa (Beto Lee é o parceiro perfeito...), e do teclado de sotaque Joy Division e os vocais rascantes do Sergio Britto. E tudo isso conjugado com uma irretocável direção de cena, que transformou cada canção numa obra de arte que transcende o som.
Ao combinar as projeções simples com uma não-coreografia de palco cuidadosamente ensaiada, trocas de roupas precisas e marcações estudadas para um impacto visual quase tão poderoso quanto o som com que nos presenteavam mais uma vez, os Titãs deram um crash course para quem quiser ter uma banda. Em qualquer tempo.
Ao final do espetáculo aplaudi tudo o que pude na tentativa de agradecer não apenas pelo show acima (muito acima) da média por aí, mas também por aprender um coisa ou duas sobre este subjetivo mundo da arte, especialmente quando ele desrespeita fronteiras e se expande para espaços inesperados.
Na minha carreira de jornalista, nunca tive a oportunidade de chegar perto de um Titã. Eles estão na curtíssima listas de artistas cuja proximidade física me faria tremer nas bases. E isso é muito bom. Que a turnê seja longa e próspera.



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