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'Nuremberg' é um um choque de realidade em quem (ainda) sonha com um mundo justo

  • Foto do escritor: Ronald Villardo
    Ronald Villardo
  • 28 de mar.
  • 3 min de leitura



Saí tonto da sessão de 'Nuremberg', segundo filme do diretor americano James Vanderbilt, que foi roteirista de sucessos como "Zodíaco", "O espetacular Homem-Aranha", entre outros. 


"Nuremberg" conta os bastidores da pesquisa do psiquiatra Douglas Kelly (Remi Malek) com os 22 primeiros prisioneiros nazistas capturados logo após o fim da Segunda Guerra. Entre eles estava Herman Goring, fundador da Gestapo e chefe da Força Aérea alemã, apontado como um dos possíveis sucessores do verme-mor, Adolf. 


Os 22 vermes de Nuremberg foram os primeiros a serem julgados pelos crimes que cometeram contra a Humanidade. As ideias que envolveram o julgamento estabeleceram as bases das regras internacionais que vigoram até hoje. E nem vou me estender muito na importância histórica do evento porque o leitor amigo deve ter estudado o assunto na escola. Resumindo muuuuito, acho que dá para dizer que em Nuremberg foram definidas também as bases do que hoje chamamos de Direitos Humanos. 


E quem quiser se atualizar , vou linkar alguns podcasts sobre o assunto ao fim deste texto. 


Por aqui, portanto, vamos às dicas para que sua experiência na plateia de "Nuremberg" seja a melhor possível. 


O MUNDO PÓS-GUERRA

O filme se passa meses após a derrota e a morte de Adolf Hitler. Um período em que a população em geral ainda não sabia totalmente o que havia acontecido nos campos de concentração, por exemplo. 


DIÁLOGOS MEMORÁVEIS

O diretor James Vanderbilt também assina o roteiro de "Nuremberg", que carrega um texto excepcionalmente envolvente e conciso, apesar das 2h29 do filme. Deu vontade até de ler o livro que inspirou o filme, "O nazista e o psiquiatra" (Editora Planeta, 2025), do autor americano Jack El-Hai. Em tempo: preste atenção na cena da estação de trem, entre Douglas e o sargento Howie, interpretado pelo britânico Leo Woodall. Aliás, falando nele… 


LEO WOODALL

Arrisco dizer que Woodall tem no sargento Howie Trist o primeiro grande personagem da sua carreira. Nem dá para falar muito sobre o militar sob risco de dar algum spoiler, o que é contra minha religião. Só me resta torcer para que o ator entre na temporada de premiações. A grandiosidade da produção me faz crer que esta é uma das ambições de "Nuremberg". Aguardemos. 




"SABE POR QUE ESSAS COISAS ACONTECEM? PORQUE AS PESSOAS DEIXARAM". Sargento Howie. 

CENAS FORTES

Prepare o estômago porque há algumas cenas reais do Holocausto. Como disse no início, o julgamento aconteceu meses após o fim da guerra e ainda não se sabia totalmente o que havia acontecido nos campos de concentração. Por isso, foi preciso exibir algumas das imagens registradas pelos próprios nazistas para que o mundo tivesse noção do nível de atrocidades cometidas. 


JUSTIÇA OU VINGANÇA?

Vale lembrar que o Julgamento de Nuremberg levantou debates sobre a necessidade de um julgamento para os vermes. Churchill, por exemplo, defendia que os vermes fossem para o "paredón". Execução sumária. Ainda que líderes como o britânico e Stálin não apareçam no longa, este debate ganha alguns diálogos que merecem atenção.


RUSSELL CROWE

Ele nem é gladiador, mas nos dá um verdadeiro soco no estômago com a interpretação meticulosa do verme Goring. Quem tiver a manha de catar no Google o rosto real do meliante vai conseguir enxergar através dos olhos azuis do ariano o tom exato da subjetividade proposta por Crowe ao personagem. É impressionante como líderes natos podem ser especialmente sedutores. Falando nisso…


VERMES  SEDUZEM

Muitos vermes nazistas (perdoe a redundância) eram pessoas altamente cultas, como o próprio verme-mor. O personagem de Russell Crowe, o marechal nazista Hermannn Goring, rezava nesta cartilha. E por um segundo, o diretor arma uma emboscada para o espectador. Uma armadilha bem parecida com a que viveu o Douglas Kelly quando entrou em contato com os oficiais da SS.  É quase possível humanizar um verme. Estejamos atentos. 



RAMI MALEK

Toda vez que vejo Rami Malek em cena tenho a impressão de que ele está prestes a espirrar. 






O MAL

Acho que parte da minha "tontura" ao sair do filme foi por conta da certeza de que o "mal" existe. E não está em nenhum demônio imaginário, espírito maligno, nenhuma dessas criações humanas para justificar a maldade. Saí com ecos de Hannah Arendt na cabeça. Sim, existe gente má. 

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