Colunista que não escreve, rainha de bateria que não samba...
- Ronald Villardo

- há 3 dias
- 2 min de leitura

Na semana passada, uma colunista da "Folha" chamada Natalia Beauty publicou um texto no qual admitia usar inteligência artificial para produzir o que publica. O assunto teve uma repercussão poderosa, extrapolando os limites da coluna, motivando debates acalorados, reações de outros jornalistas e até o posicionamento da ombudsman do jornal.
Confesso que estava percebendo o burburinho, mas fiquei com preguiça de ir atrás. Até que o tédio do carnaval me levou a procurar saber, como diria Paula Lavigne.
Pois descobri que o post-confissão da Natália surgiu após a reclamação de um leitor que percebeu algo estranho nos textos dela e resolveu usar um aplicativo que consegue "detectar" a possibilidade de um texto ter sido criado por uma IA. E não é que o cara acertou na mosca? Na sua defesa, Natália argumenta que usa a IA para "estruturar o texto".
MILLI VANILLI
O tom de "te peguei!" do leitor é perfeitamente compreensível. A habilidade de organizar informações, opiniões, contar histórias é tipo o superpoder de quem escreve. E se o tal superpoder é fake, é perfeitamente natural que o encanto de quem consome aquele conteúdo acabe. É o efeito Milli Vanilli (jovem, faça a Paula Lavigne e procure saber!).
E eu soube pelo texto da ombudsman da "Folha" (linkado acima) que o "New York Times" proibiu o uso de IA nos textos de opinião. É uma tentativa de dar alguma transparência ao processo e de garantir ao leitor que ele não está comprando gato por lebre.
Ler um colunista que não domina a própria escrita é como consagrar uma rainha de bateria que não sabe sambar. Não dá.
SEM VOLTA
Ainda assim, leitor amigo, trago verdades incômodas: boa parte do que você anda lendo por aí nos grandes portais já é produzido por IA. Quer saber? Eu acho ótimo que seja assim.
Quem me dera existisse IA nos tempos dos "tijolinhos" do Rio Show, suplemento do qual fui editor assistente por dez anos no Globo. Hoje em dia, não faria sentido algum que um ser humano literalmente digitasse sinopses, endereços, horários, resumos… isso é trabalho para uma máquina.
O que não dá para aceitar é que o senso crítico do autor do texto se rebaixe ao da máquina. E temos lido coisas do arco da velha (entregou a idade!) por aí. Como eu já dizia nos meus tempos de editor, às vezes basta reler o texto uma única vez para entender que alguma coisa não faz sentido ou pode ficar melhor. A correria para publicar mais rápido tem avacalhado (amo esse verbo) essa revisão.
Para encerrar, deixo uma dica de leitura. O colunista do UOL Diego Ortiz resolveu perguntar para várias IAs o que elas acharam das justificativas da Natalia para defender o uso de IA nas colunas que publica. E o resultado foi HILÁRIO. O link segue aqui.
Divirta-se.



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